domingo, 15 de novembro de 2009

enterrando poetas

poucos foram ao enterro,
contava-se nos dedos.
entre os pertences
papeladas inexploradas.

a mãe leu:
"acabaram as páginas."

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

à musa

poema apaixonado
lado bate noutro
toda evolução,
nomenclaturas
homo sapiens
razão e tudo mais...
meras tolices.

eu preciso de menos
para dizer que te amo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

meu olhar se queda
aos teus pequenos pés,
desejo e ternura.

ao professor

se irrelevante existe
como pode relevar ser irrelevante?

domingo, 8 de novembro de 2009

dê-me ó Deus outro castigo!
vê-la triste é pecado.

sábado, 24 de outubro de 2009




segunda-feira, 12 de outubro de 2009

aos prantos
sempre li
lamentos
de grandes
poetas.

pequeno,
eu
a chuva
o vento
derramamos
lágrimas
a todo
momento,

choro por eles:
sabidos e incompreendidos,
sem viver um amor
como eu tenho vivido.

sábado, 26 de setembro de 2009

(:

suave,
tua voz:
meu aconchego
arde dentro do meu peito.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ditadora

tua ausência me tortura
tua fuga me censura
tira esta farda
quero ver-te toda nua

domingo, 6 de setembro de 2009

ontem vasculharam o céu a procura da lua!
bando de tolos,
ela estava a meu lado...
olhando a rua.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

é como um barco a velas
não sabe onde vai parar,
velejo, vezes ancorado
sem vento sem céu sem ar,
me mostra a direção
pra cada sabor do mar,
inútil é o teu timão
se as velas vão te levar,
um dia sem luz, nublado
as águas de humor salgado
um corpo dilacerado
com as dores de cada lugar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

hoje

toda noite um pedido
(caminhei desiludido)
pensamento em dilemas
(todos eles são poemas)
todo meu sorriso estreito
(mal atravessera o peito)
como eu queria vê-la!
(fiz promessa a tanta estrela)
para mim não há mais jeito
(eu sei bem o meu defeito)
resta a mim só um papel
(teu olhar junto do céu)

sábado, 15 de agosto de 2009

o meu querer é simplório,
respira oxigênio amargo
num peito de deletério
e mesmo que nu, as claras
sofre em face ao riso vão,
já cansado de mistério.

meu querer é pó de estrada
silencia, assenta ao chão
pensamento na madrugada
seja sonho ou solidão.

quero água, tenho sede
pr'esta ansia de ilusão,
não sacio em rever-te
em meu pobre coração.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

se ocê

O gaio da roseira
lá de cima se adespencô
mas ah, se ocê voltasse
não importa se demorasse
eu lí daria aquela frô.

Se o sol não acordasse
e as estrela tudo fugissi
as nuvem se arredasse
e a esperança daqui partisse

Se a noite eu não durmisse
e a alegria toda morresse
se os verso não rimasse
e a saudade não duesse

Mas ai ai se ocê viesse
e de mim ocê gostasse
se Deus ouvisse minha prece
pra que ocê se alembrasse
em toda letra que ocê lesse
em toda frô que ocê cheirasse
nunca nunca se esquecesse
do barbudo que deixaste.

sábado, 8 de agosto de 2009

Acho que as vezes não é preciso cor, ontem era tarde e eu fechei os meus olhos em busca da descrição exata do que eu podia ver.Estava tudo escuro.Eu nunca precisei de cor nem sabor pra saber que amava você.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

tu te tornas eternamente irresponsável por aquilo que cativas,
não há amarras ao meu bem querer.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

o céu aberto
é a cara no travesseiro,
porque tudo que eu não sei de mim
dorme
acontece
esconde
e por fim
morre de olhos abertos
sem o sabor do entendimento.

domingo, 26 de julho de 2009

esta vida é uma cartilha rigorosa,
mas mesmo assim (por merecimento)
temos a dádiva do livre arbítrio:
ser um iludido ou ser um babaca,
para mim não resta mais dúvida,
escolhi os dois caminhos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

manifesto contra a indiferença

nunca me importei muito com todas as coisas que eu não gosto,
e eu sei que são muitas.

nunca gostei de pensar sozinho a noite entre paredes brancas,
mesmo sabendo que a luz estava apagada.

nunca me conformei fácil em desistir de algo,
e eu sei que isso talvez seja tolice.

nunca admiti perder uma amizade por algo inútil,
e eu sei que já perdi várias.

nunca gostei de me sentir só,
e admito que as vezes a solidão foi meu único abrigo.

nunca provei o sabor da carne,
e talvez eu morra alguns anos antes por isso.

nunca pensei que só um par de olhos pudesse calar minha voz,
e acho que até hoje minha alma silencia.

eu sei que você nunca me correspondeu,
mas machuca te ver indiferente.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

a cada segundo estes
versos pulsam também
em suas artérias,

pois é teu meu coração.

sábado, 18 de julho de 2009

acho que a pior sensação que se pode sentir é não saber exatamente o que dizer,
e a segunda pior é não saber o que fazer.

tirando isso então,
acho que me sobra o pensamento,
e estou pensando em você.
a poesia é de fato um tapa.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

as vezes a poesia é um tapa,
no meu caso é a esperança:

fica comigo?

terça-feira, 14 de julho de 2009

procura-se

caso você concorde,
e todas as evidências favoreçam:
esta poesia está a sua procura,
só não sabe como te encontrar.

sábado, 11 de julho de 2009

eu não me lembro quando foi que fiz minha primeira poesia,
não me lembro que cor era minha primeira camiseta,
não me lembro do meu primeiro aniversário,
não me lembro do meu primeiro abraço,
não me lembro do meu primeiro amigo,
muito menos da primeira música que ouvi.

peço desculpas pelo sentimentalismo,
mas eu nunca vou esquecer a primeira vez
que pude ver o seu sorriso.
Sou o que penso quando acordo.
Você também.

terça-feira, 30 de junho de 2009

soneto do eugoísmo.

se espalho tal desejo que tão sórdido
me arrasta arduamente p'ra saudade,
debruço-me em tristeza do berço órfico
e me farto dessa água: tempestade.

vivo teu afago entre vãs infecundas
olvidadas, ao vento,vêm e voam.
entregando-se mortas, moribundas
verdades vis tão vastas esboroam.

calmaria...hipocrisia... rendição?
é por todas escolhas, tão inúteis,
que lhe peço, imploro teu perdão.

de propósito digo sem alarde
últimos versos: quero outro viés!
mesmo tarde, além de qualquer perdão, quero liberdade.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

devaneiosemáculas
junteosemum











só.